sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Manual de Convivência com o Depressivo

Não vou falar sobre os vários tipos de depressão, mas sim sobre os vários estágios da mesma.

1) A pessoa começa a apresentar os sinais. Cansa-se facilmente, demonstra desinteresse pelo que antes gostava, dorme demais (ou de menos), fica irritadiça, não quer sair de casa e fica mais calada do que de costume.

Alerta: Não espere mais do que 2 semanas se vc perceber esses sintomas. A depressão é um quadro que se agrava. Sugira uma consulta a um psiquiatra.

No psiquiatra: Peça um diagnóstico exato, pergunte para que servem cada um dos remédios que ele receitar, de que forma ele imagina que aqueles remédios possam ajudar a pessoa e quais efeitos colaterais, pela experiência dele, são mais comuns. Pergunte também sobre quais efeitos colaterais ele julga importante que lhe sejam informados, mesmo antes da próxima consulta, para você ficar de olho. Não se impressione com a bula dos remédios. Procure um psiquiatra de confiança e dê a ele um voto de confiança.

Em casa: Não questione o comportamento da pessoa. Não seja invasivo. Proporcione privacidade. Certifique-se que ela toma os remédios conforme a prescrição.

2) A pessoa perdeu o apetite, vem emagrecendo, o comportamento dela já mudou há tempos e vc achava que era só uma fase. A pessoa mostra-se cada vez mais desiludida com a vida, pára de estudar ou trabalhar, etc.

Alerta: A depressão não começou agora. Leve-a a um psiquiatra imediatamente. É importante relatar DESDE QUANDO vc se lembra que ela começou a agir de forma diferente. Provavelmente, a depressão já não está mais no estágio inicial. Como a maioria dos anti-depressivos costuma levar algumas semanas para agir, questione o psiquiatra sobre a necessidade de algum tipo de tranqüilizante ou outro tipo de remédio, para que a pessoa possa aguardar com segurança o início da atuação do anti-depressivo. Mantenha-se vigilante. Siga todos os passos indicados no item No. 1.

3) Além dos sintomas descritos nos itens 1 e 2, a pessoa começa a apresentar idéias ou comportamentos suicidas. Ou, pior, ela começa a se mostrar fria, com os olhos distantes, como se estivesse pensando em qualquer outra coisa menos o que vc está conversando com ela. Mesmo calada, vc observa um olhar vítreo, como se nada mais a abalasse.

Alerta máximo: A pessoa está sob risco de suicídio. Leve-a imediatamente (ou tão logo seja possível) a um psiquiatra, explique detalhadamente o que está acontecendo. A prescrição deve conter remédios paliativos (talvez anti-psicóticos e tranqüilizantes) além dos anti-depressivos, embora somente o psiquiatra possa analisar essa necessidade. Esteja informado, porém. A pessoa pode precisar de observação contínua. Mantenha objetos perfurantes ou cortantes longe do alcance da pessoa.

Em casa: Não cobre reação alguma. Nesse estágio, até mesmo demonstrações de amor podem soar como uma cobrança e fazer a pessoa sentir-se culpada de estar "incomodando", ou ter-se tornado "um fardo". Seja carinhoso, exercite sua paciência ao extremo. Comunique-se com o psiquiatra com freqüência, via telefone ou por qualquer outro meio, se vc suspeitar de algo anormal.

Lembre-se: Mesmo a pessoa mais decidida a tirar a própria vida emite sinais dúbios. Aprenda a reconhecer um pedido de ajuda, mesmo que implícito. Informe-se sobre o assunto.

Finalmente: Pode até ser, e se for, melhor, mas em qualquer estágio, NUNCA imagine que a depressão VAI PASSAR sozinha.

Principalmente nos dois primeiros itens, considere com o psiquiatra a necessidade de terapia adicional, com um psicólogo, se vc tiver condições.

Se não, faça de tudo para que a pessoa sinta-se confortável. Quando conversar, que seja sobre amenidades. Acostume-se, nesse período, a conversas unilaterais, monólogos mesmo. Não fique chateado. É sempre muito importante manter a pessoa ligada à realidade. Não coloque expectativas de cura, muito menos as imponha. Diga apenas que vc estará lá, para o que der e vier.



Um comentário:

Black Rose disse...

É um alerta, pois muitas vezes o depressivo é ignorado, mal compreendido, até mesmo por sua família. E isso leve, muitas vezes, ao suicídio. Se você conhece alguem com depressão, não pense duas vezes, ou poderá ser tarde demais.